Primeiro que o vôo estava overbooked (portão lotado de gente no aeroporto de Frankfurt, mães e milhões de crianças chorando, correndo, arrancando os cabelos umas das outras) e eu no espírito "amo-muito-tudo-isso". Quando me deparo com o comissário de bordo me perguntando se por acaso eu não gostaria de ir na classe executiva. Erh... bem, é claro que eu já queria entrar no espírito multidão, mas a tentação de open bar e open food falou um pouco mais alto e lá fui eu aproveitar a sorte grande.
Vôo grande, burocraciazinhas na entrada - o oficial de imigração me pega um caderninho e vai anotando vagarosamente os dados do meu passaporte antes de me deixar entrar; sim, caderno daqueles sem espiral, com capinha de desenho animado e tudo. Bem no estilo "Welcome to India". Duas horas depois, às 3 da manhã, após encontrar meu colega de trabalho me esperando - Rafael, muito amigo de amigos meus de Brasília, gente finíssima - consigo resgatar minhas malas (destruídas pelo vôo) e vou para o hotel.
O trajeto Aeroporto - Hotel foi uma das coisas mais diferentes que eu já vi na vida. Primeiro, o cheiro. É muito forte, abafado; não é sempre, mas boa parte é como se fosse algo um grande banheiro a céu aberto - misturado com peixe, nos pontos mais críticos. Além disso, como já era imaginado, a cidade parece um daqueles filmes em que o tempo parou por 30 anos e as pessoas continuaram ali. Tudo, as construções, as pessoas, o modo como as coisas fluem, parece "sofrido demais".
No caminho passei pelo templo de Ganesha, pela favela dos pescadores (ao lado do meu hotel e é uma região tombada pelo valor cultural e histórico) e pelas milhares (sem exagero, não vi uma calçada que não houvesse ao menos 3 pessoas) dormindo entre os ratos no chão. Algumas, inclusive, dormem no meio fio, outras na própria rua - e o índice de violência da cidade é baixíssimo. São pessoas que moram tão longe que não compensa sair de seus trabalhos para pegar uma condução e gastar cerca de 3h no caminho para casa. Foto do templo de Ganesha - confesso que não achei bonito não, mas o motorista falou que dentro é maravilhoso:
O hotel que eu estou é muito bom; espero que seja tranquilo passar 3 meses por aqui.
Só consegui pregar o olho às 6h da manhã, depois de desfazer as malas. Acordei com o serviço de quarto batendo porta. Um fato curioso é que, para os hindus, somente as castas inferiores podem tocar no lixo - literalmente. Desse modo, só os dalits podem fazer serviço de limpeza.
Quando acordei já era mais de meio dia, me apresentei no Consulado, conheci o pessoal - todos são muito legais e prestativos. São apenas 4 pessoas do quadro do serviço exterior (eu, Rafael, Conselheiro Luis Antônio e Embaixador Josal) e mais 4 contratados locais (Aiesha, Patricia, Meena e Johan). Iniciei algumas atividades, mas estava exausta - aqui são 7h30 a mais que no Brasil.
Quando saí do trabalho, fui conhecer a esposa do Rafael - Michelângela, uma fofa, que tem me dado várias dicas desde que saiu a designação da missão. Ambos conversaram bastante comigo sobre a cidade e sobre as experiências (nem sempre boas) que já tiveram durante os 4 meses que já estão aqui. Como estava muito cansada, não fiquei por muito tempo e logo depois peguei um táxi para o hotel. E por táxi, eu digo o "black & yellow". É um dos meios de transporte mais comuns e seguros - e as corridas são muito baratas. Olha só um exemplo da gracinha...
No final de semana quero andar bastante por essa bagunça. Desde que eu decidi vir pra cá, tenho escutado muitas coisas ruins e controversas - não só de Mumbai, mas da Índia em geral. A vantagem foi ter vindo "esperando pouco" e sabendo que a Índia mística não aparece tão fácil - li muita coisa sobre o país e conversei com muita gente que esteve por aqui - e eu estou bem disposta a gostar muito deste lugar.


3 comentários:
aaaah, que inveja!
Aguardo cenas dos próximos capítulos. Estou curioso para descobrir suas próprias impressões deste mundo de pessoas! Estou adorando o blog! ;D
Beijokona!
achei o templo muito bonito. :o
acho bonita essa disposição sua com o lugar. :)
e vc, linda. :)))
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