quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Namastê (ou नमस्ते)

Cheguei. E como já era esperado, dei de cara com um mundo de coisa diferente.

Primeiro que o vôo estava overbooked (portão lotado de gente no aeroporto de Frankfurt, mães e milhões de crianças chorando, correndo, arrancando os cabelos umas das outras) e eu no espírito "amo-muito-tudo-isso". Quando me deparo com o comissário de bordo me perguntando se por acaso eu não gostaria de ir na classe executiva. Erh... bem, é claro que eu já queria entrar no espírito multidão, mas a tentação de open bar e open food falou um pouco mais alto e lá fui eu aproveitar a sorte grande.

Vôo grande, burocraciazinhas na entrada - o oficial de imigração me pega um caderninho e vai anotando vagarosamente os dados do meu passaporte antes de me deixar entrar; sim, caderno daqueles sem espiral, com capinha de desenho animado e tudo. Bem no estilo "Welcome to India". Duas horas depois, às 3 da manhã, após encontrar meu colega de trabalho me esperando - Rafael, muito amigo de amigos meus de Brasília, gente finíssima - consigo resgatar minhas malas (destruídas pelo vôo) e vou para o hotel.

O trajeto Aeroporto - Hotel foi uma das coisas mais diferentes que eu já vi na vida. Primeiro, o cheiro. É muito forte, abafado; não é sempre, mas boa parte é como se fosse algo um grande banheiro a céu aberto - misturado com peixe, nos pontos mais críticos. Além disso, como já era imaginado, a cidade parece um daqueles filmes em que o tempo parou por 30 anos e as pessoas continuaram ali. Tudo, as construções, as pessoas, o modo como as coisas fluem, parece "sofrido demais".

No caminho passei pelo templo de Ganesha, pela favela dos pescadores (ao lado do meu hotel e é uma região tombada pelo valor cultural e histórico) e pelas milhares (sem exagero, não vi uma calçada que não houvesse ao menos 3 pessoas) dormindo entre os ratos no chão. Algumas, inclusive, dormem no meio fio, outras na própria rua - e o índice de violência da cidade é baixíssimo. São pessoas que moram tão longe que não compensa sair de seus trabalhos para pegar uma condução e gastar cerca de 3h no caminho para casa. Foto do templo de Ganesha - confesso que não achei bonito não, mas o motorista falou que dentro é maravilhoso:



O hotel que eu estou é muito bom; espero que seja tranquilo passar 3 meses por aqui.

Só consegui pregar o olho às 6h da manhã, depois de desfazer as malas. Acordei com o serviço de quarto batendo porta. Um fato curioso é que, para os hindus, somente as castas inferiores podem tocar no lixo - literalmente. Desse modo, só os dalits podem fazer serviço de limpeza.

Quando acordei já era mais de meio dia, me apresentei no Consulado, conheci o pessoal - todos são muito legais e prestativos. São apenas 4 pessoas do quadro do serviço exterior (eu, Rafael, Conselheiro Luis Antônio e Embaixador Josal) e mais 4 contratados locais (Aiesha, Patricia, Meena e Johan). Iniciei algumas atividades, mas estava exausta - aqui são 7h30 a mais que no Brasil.

Quando saí do trabalho, fui conhecer a esposa do Rafael - Michelângela, uma fofa, que tem me dado várias dicas desde que saiu a designação da missão. Ambos conversaram bastante comigo sobre a cidade e sobre as experiências (nem sempre boas) que já tiveram durante os 4 meses que já estão aqui. Como estava muito cansada, não fiquei por muito tempo e logo depois peguei um táxi para o hotel. E por táxi, eu digo o "black & yellow". É um dos meios de transporte mais comuns e seguros - e as corridas são muito baratas. Olha só um exemplo da gracinha...



Obs.: O que eu andei era um "carro normal".

No final de semana quero andar bastante por essa bagunça. Desde que eu decidi vir pra cá, tenho escutado muitas coisas ruins e controversas - não só de Mumbai, mas da Índia em geral. A vantagem foi ter vindo "esperando pouco" e sabendo que a Índia mística não aparece tão fácil - li muita coisa sobre o país e conversei com muita gente que esteve por aqui - e eu estou bem disposta a gostar muito deste lugar.

3 comentários:

mf disse...

aaaah, que inveja!

Unknown disse...

Aguardo cenas dos próximos capítulos. Estou curioso para descobrir suas próprias impressões deste mundo de pessoas! Estou adorando o blog! ;D
Beijokona!

beta(m)xreis disse...

achei o templo muito bonito. :o

acho bonita essa disposição sua com o lugar. :)

e vc, linda. :)))